FADE IN. A narrativa. A estória. Toda a ficção. Disparam as luzes, ouvem-se os gritos. Bate a claquete. Acordamos. Escrevemos o nosso dia, riscamos sequências, alteramos personagens, modificamos o diálogo. Interior, exterior. Acaba o dia, a estória é outra. Eu sou eu, tu és mutante. Nem sempre é óbvio, a narrativa altera-se a cada minuto. O imprevisível torna-se previsível. Estamos sós e chega a noite. Os olhos cruzam-se, a boca cala-se. A cena avança. Alguém puxa o cabo - o som desliga-se. Balanceamos os brancos: 7000 graus kelvin. Cortamos a cena. Não há mais guião. Se a claquete voltar a bater, na dúvida, avancem. Na dúvida é o amor.FADE OUT.
fotografia / cine-teatro de alferrarede, Abrantes.
